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Textos e Artigos

Letramento Digital: Comunicação

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Presenciamos um momento em que é possível olhar para o mundo todo, sem sequer ir à janela de casa. A interligação do planeta pelas Tecnologias de Informação e Comunicação redimensiona as escalas do espaço: o que antes era desconhecido por ser distante, agora pode fazer parte de nossa vida tanto quanto aquilo que nos é próximo. Vamos percorrer um pouquinho essa trajetória das tecnologias da comunicação.

Significativas mudanças na comunicação entre os seres humanos ocorreram com o surgimento da escrita e seus suportes, passando pela pedra, argila, madeira, papiro, pergaminho e papel. Quando este último passou a ser usado como o suporte preferencial - o que facilitava a troca de informações e a comunicação - ainda faltava velocidade para a sua circulação.


Diferentemente do que à primeira vista se poderia supor, a invenção do papel não foi muito bem recebida na Europa, fato que, aliás, explica a lentidão, medida a séculos, de sua passagem de um país europeu a outro. Apesar de o papiro andar desaparecido desde o séc. VIII e de o pergaminho ser escasso, os europeus armaram-se de variados preconceitos contra o papel. (COSTELLA, 1984:32).
 

A invenção do trem a vapor a partir da primeira metade do século XIX alterou radicalmente as possibilidades de locomoção e comunicação entre as populações. Foi também nesse século que a humanidade viu a descoberta e o aperfeiçoamento de tecnologias importantes para a memória e a reprodução visual da realidade, assim como para sua distribuição: o telégrafo e o microfilme; a fotografia e o cinema. Também os ouvidos foram contemplados, com o gravador de som, o rádio e o telefone – se o primeiro permite o registro, o segundo estabelece a comunicação sonora em tempo real, enquanto o último permite interatividade. Por outro lado, a velocidade de locomoção é potencializada pela invenção do automóvel a gasolina e, no limiar do século seguinte, do avião. E o planeta passa a se ver pela televisão.

Todos estes novos meios instauraram uma outra organização do mundo, pelo seu potencial de comunicação, de aproximação entre realidades distantes, e também porque apresentam sempre uma maior possibilidade de reprodução.

A segunda metade do século XX assistiu aos pés do ser humano pisando na Lua e ao surgimento do satélite, do microcomputador e suas redes digitais, estes últimos baseados na tecnologia digital. A apropriação das tecnologias de informação e comunicação por parcelas cada vez maiores da sociedade e a incorporação às técnicas cotidianas contribuem para que surjam novas maneiras de estar no mundo e de relacionamento social, as quais agora passam a ser também mediadas pelas relações nominadas como cibernéticas. Esse tipo de relação não está restrito apenas ao uso da Internet, mas instaura-se, também, na comunicação não-presencial interativa, multidirecional e descentralizadora – a comunicação em rede. A rede não é o produto de tecnologias, mas o imbricamento destas com as relações e organizações sociais que foram se modificando ao longo do tempo nos diversos âmbitos: trabalho, lazer e educação.


Tecnologia digital: Temos acesso aos produtos da tecnologia analógica graças a mecanismos de reprodução de meios físicos. Na tecnologia digital o meio físico é convertido em símbolos abstratos que são, depois, decodificados. Isto significa uma nova maneira de transmitir e obter informações, que não mais depende dos processos de reprodução, mas de dispositivos de conversão.


Assim, quando se entra na rede nunca se está sozinho, pelo contrário - a comunicação por rede de computadores inaugura uma maneira diferente de partilha, em que é possível estar conectado simultaneamente com pessoas de todo o mundo, a partir de cada computador pessoal. Estar à frente de uma tela de computador significa, portanto, estar em um processo de integração e diálogo que nada tem a ver com isolamento.


Cibernética é definida como comunicação e controle nas máquinas e animais, entre os quais figuram os seres humanos. Este é o conceito do matemático Norbert Wiener que reinventou, em 1948, a palavra Cibernética (Kubernetes, em grego), que significa ‘a arte de pilotar navios’ e, por extensão, a arte de conduzir homens e, em sentido mais amplo, a arte de governar o Estado (Nave Social).(SANGIORGI, 1999: 116).

 

Aprender a comunicar-se digitalmente

lIlustração: Didiu Branco
O caráter interativo da Internet é um dos distintivos mais notáveis dessa mídia. Embora o debate seja amplo entre estudiosos, pode-se dizer que a interatividade diz respeito à relação homem-máquina (ou homem-software) e à relação homem-homem mediada pela máquina. Em seu primeiro aspecto, ela pode ser bastante simples, como nos casos de ação e reação em softwares de perguntas e respostas que indicam acertos e erros, ou complexa, quando o usuário modifica o conteúdo e a forma do ambiente no momento em que navega, em tempo real. O EducaRede adota a interação entre pessoas em processos de comunicação com o uso de computadores ligados à Internet.

Ambientes interativos como Fóruns, Salas de Bate-Papo e listas de discussão são os mais populares da Internet. Todos têm a finalidade de colocar grupos de pessoas em comunicação, mas suas características específicas os tornam mais adequados a um ou outro tipo de uso. Representam uma oportunidade para os professores trabalharem com seus alunos as habilidades de comunicação e expressão e suas particularidades no meio digital. Além disso, os Fóruns e Bate-Papos têm um importante potencial para constituir novas aplicações pedagógicas.

O Fórum é um ambiente em que as mensagens podem ser postadas a qualquer momento, ficando registradas para leitura dos participantes do grupo. As mensagens são enviadas com o nome dos destinatários e geralmente ficam organizadas em listas de perguntas e respostas. Os participantes têm a liberdade para comentar mensagens já existentes ou inserir novas.

Por ser um ambiente em que os tempos de escrita e leitura não influenciam no fluxo da comunicação, os fóruns são adequados para a realização de debates e estudos aprofundados, com mensagens longas, sejam reflexivas ou descritivas. Em relação às discussões presenciais, os Fóruns em meio digital apresentam algumas vantagens para o uso pedagógico como:

• Registro completo das participações, facilitando o acompanhamento do professor e a análise das opiniões dos alunos;
• Estímulo à escrita como instrumento significativo de comunicação entre pares;
• Valorização do papel do aluno, com o incentivo à participação dos mais tímidos;
• Restrição da dispersão e da indisciplina, em razão da identificação das mensagens;
• Apoio à concentração e à análise necessárias à participação no ambiente.

O Bate-Papo permite que pessoas se comuniquem em tempo real: os participantes trocam mensagens uns com os outros abertamente, sendo permitido a todos acessar as mensagens enviadas. Há ambientes em que dois participantes podem conversar de modo reservado. A comunicação síncrona é a principal marca das atividades desenvolvidas no Bate-Papo. A troca entre as pessoas é bastante dinâmica, assemelhando-se à conversa face a face. A flexibilidade de encaminhamento do tema conforme o interesse do grupo também é maior.

Do ponto de vista cognitivo, a velocidade de escrita das mensagens demanda a habilidade de síntese, para a elaboração de mensagens curtas e objetivas. A agilidade na leitura e classificação das temáticas já abordadas é exigida para evitar a repetição desnecessária de mensagens. Do ponto de vista social, cria uma auto-regulamentação no grupo, que demanda a adequação do tempo pessoal ao tempo do grupo, e a crítica em relação à intensidade da participação pessoal,
viabilizando a participação de todos.

O Bate-Papo tem algumas especificidades que devem ser observadas para o uso satisfatório em contextos educacionais. A primeira delas é que a necessidade de estar conectado simultaneamente pode restringir a quantidade de participantes, em razão das dificuldades de conciliar o horário na agenda de todos. Para aproveitar os potenciais da ferramenta, é recomendável a realização de “treinos” que tornem as regras familiares ao grupo, para que haja uma conversa focada e organizada. É importante seguir algumas orientações, tais como: 

• Estabelecer horários favoráveis à participação da maioria dos envolvidos, para minimizar as dificuldades de agenda;
• Planejar a gravação do bate-papo, caso se queira enviar o registro da conversa para os ausentes ou analisá-lo posteriormente;
• Estabelecer um mediador é fundamental para evitar conversas paralelas e desvios do tema;
• Em caso de entrevistas, preparar previamente as perguntas.

Em relação à conversa presencial, o bate-papo possui em comum com o Fórum a mudança na dinâmica entre os alunos. Se for gravado, também engloba a qualidade do registro. Ambos desenvolvem a leitura e escrita e a comunicação em meio digital, embora com exigências de habilidades e competências distintas.

 

Ferramentas de Comunicação do EducaRede

O Fórum possui características que favorecem seu uso na educação. As mensagens podem ser organizadas por título, autor, data e número de comentários. Com esses recursos, pode-se verificar os alunos mais atuantes, as mensagens que causaram maior interesse e até a freqüência de participação.

Os usuários também podem enviar documentos de textos, imagens e sons. O Fórum pode exibir um texto do responsável pelo debate, para orientar ou problematizar as questões levantadas, tornando mais consistente o trabalho desenvolvido.

O Bate-Papo tem tido boa adesão de escolas, professores, alunos e centros de formação. Com interface amigável, possui salas livres e salas para grupos de trabalho ou estudo. O destaque nesse ambiente é a possibilidade de o internauta agendar a própria Sala de Bate-Papo, determinando horário, assunto, tipo de acesso – aberto ou restrito. Nas entrevistas promovidas pelo Portal, há um mediador que organiza o fluxo de perguntas e um arquivo de entrevistas já realizadas, que podem ser pesquisadas por data, tema ou entrevistado.
 

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Referências bibliográficas

COSTELLA, Antônio. Comunicação – do grito ao satélite. São Paulo: Mantiqueira, 1984.

SANGIORGI, Oswaldo. Cibernética e Educação. In Revista Comunicação e Educação, nº 14, Editora Moderna – USP 1999. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES

 

Fonte: Internet na Escola - Caderno do Capacitador

08/10/2008

 

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