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16/10/2008
     

 

Em Busca de uma navegação segura

 

Nesta segunda parte da reportagem sobre segurança na internet, os pais recebem dicas importantes quanto a conteúdos da rede nocivos a seus filhos

 

Fonte: EducaRede Espanha
Tradução: Airton Dantas
Adaptação: Equipe EducaRede Brasil

 

 
Os pais estão cada vez mais conscientes de que há uma grande quantidade de informação inadequada para certas idades na Internet. Em geral, quando se faz referência ao risco que o contato dos menores com esses conteúdos supostamente acarretam, costuma-se classificá-los em dois tipos: ilícitos e nocivos. Ainda que esses termos sejam frequentemente confundidos, é importante fazer a distinção entre as informações e comportamentos na Rede considerados delitos – portanto, proibidos não só para menores, mas para todas as pessoas, como é o caso dos “ciberassediadores” e das páginas que mostram imagens de pedofilia – e aqueles conteúdos que, mesmo sendo lícitos, são considerados prejudiciais ou inadequados para menores, como é o caso das páginas de conteúdo adulto (pornografia etc.) ou das que incitam à violência e ao racismo.

 

O que os pais podem fazer para proteger seus filhos dos conteúdos nocivos que circulam na Rede? De modo geral, podem-se distinguir três estratégias:

  • Denunciar os conteúdos e comportamentos ilícitos.

  • Adotar medidas de proteção em relação a materiais considerados nocivos ao natural desenvolvimento dos menores.

  • Educar crianças e adolescentes para que naveguem com segurança.

 

Pais e ducadores, portanto, enfrentam o desafio de encontrar canais e ferramentas necessários para garantir uma navegação segura para crianças e adolescentes. No caso dos conteúdos ilegais – portanto, merecedores de tratamento penal –, a via adequada é a denúncia aos organismos competentes. Na própria Internet é possível encontrar vários sites que administram esse tipo de denúncia, como o da SaferNet Brasil, uma organização civil de direito privado, sem fins lucrativos, fundada em 2005 por um grupo de cientistas da computação, professores, pesquisadores e bacharéis em Direito, com o objetivo de enfrentar crimes e violações dos Direitos Humanos na internet.

 

Medidas preventivas

 
Há também outros tipos de conteúdo na Internet que, ainda que lícitos, são considerados prejudiciais à formação dos menores. Com o fim de auxiliar na luta contra esse tipo de material inapropriado, foi desenvolvida uma série de mecanismos, dentre os quais os mais comuns são os filtros de conteúdo, para que os pais possam limitar o número de sites que seus filhos podem acessar na Internet, assim como os contatos que possam ter com desconhecidos. É preciso, no entanto, levar em conta que, ainda que essas ferramentas tecnológicas ajudem a reduzir a exposição dos menores a materiais e comportamentos prejudiciais, trata-se de programas com expressivas limitações, não substituindo em hipótese alguma a orientação dos pais. 

 

 

Os filtros permitem limitar o acesso às páginas Web que os pais considerem prejudiciais aos filhos. Além disso, a maior parte dessas ferramentas, em geral fáceis de usar e até mesmo gratuitas, incluem os inconvenientes serviços adicionais, que funcionam de maneira similar às barreiras de proteção denominadas firewalls, tais como:

  • Impedir o acesso a determinados serviços de Internet, como mensagens instantâneas, chats, fóruns, compartilhamento de arquivos, páginas de comércio eletrônico etc.

  • Bloquear o envio de informações (como dados pessoais).

  • Limitar o tempo de conexão, determinando, por exemplo, um número diário ou semanal de horas de navegação.

  • Manter um registro de tentativas de acesso a materiais inapropriados, que ficam armazenados no computador. Isso permite aos pais controlar o nível de aceitação das “regras do jogo” pelos filhos, já que podem saber quantas vezes eles tentaram acessar conteúdos que sabem expressamente que não lhes convêm.

  • Interromper o acesso à Internet em função do número de tentativas de acesso a páginas bloqueadas.

  • Estabelecer distintos perfis de usuário, de maneira que se possa decidir que filtros se aplicam a cada uma das pessoas que utilizam o computador. Desse modo, um mesmo computador pode ser utilizado por filhos de idades distintas e pelos próprios pais, que definem o tipo de filtro adequado a cada perfil ou aplicam filtros apenas a determinado usuário.

 

 Os filtros permitem aos pais limitar o acesso às páginas Web que considerem prejudiciais aos filhos. Outros mecanismos de prevenção para garantir uma navegação segura são a monitoração e os programas de controle de spam (mensagens eletrônicas não solicitadas e enviadas em massa com fins comerciais ou publicitários, mas que às vezes induzem o destinatário a acessar conteúdos maliciosos ou a se cadastrar, na tentativa de lhe roubar dados bancários). Monitorar a navegação pela Internet é uma opção mais permissiva que a inclusão de filtros de conteúdo, já que se limita à inserção de uma ferramenta tecnológica que rastreia as páginas visitadas e o tempo de navegação, de maneira que os pais possam ter acesso a um registro de informações sobre o que faz seu filho enquanto navega na Rede, que páginas visita e por quanto tempo. O inconveniente é que frequentemente os menores sabem de sua perda de privacidade e isso pode motivar problemas de desconfiança entre pais e filhos. Por outro lado, existem ferramentas especificamente desenvolvidas para filtrar a recepção de e-mails indesejados ou lixo eletrônico (calcula-se que equivalham a 60% do total de e-mails que circulam pela Rede).

 

Os spams que mais podem afetar o desenvolvimento natural de crianças e adolescentes são os que contêm materiais pornográficos e direcionam para páginas de conteúdo adulto. Apesar de a grande maioria das contas de e-mail que se podem abrir gratuitamente na Internet já possuir os próprios sistemas de filtragem de mensagens indesejadas, estes se limitam a classificá-las como spam e a administrar seu possível reenvio, não impedindo que cheguem a nossas caixas de correio. É por isso que se recomenda o uso de ferramentas mais eficazes, que evitam que o lixo eletrônico chegue a seus destinatários.

 

Além dessas medidas de proteção para a navegação infantil segura, é conveniente conhecer as normas básicas de proteção do próprio computador, que no fim é o veículo por meio do qual adultos e crianças têm a possibilidade de acessar a imensa fonte de oportunidades que é a Internet.  


 

Educar para navegar

 
Denunciar e seguir normas básicas de proteção em relação a conteúdos nocivos são medidas necessárias para garantir uma navegação segura. Mais importante, porém, é assentar as bases que irão permitir, a médio e longo prazo, que nossos filhos sejam capazes de desenvolver-se na Rede por si sós de uma forma saudável e segura. É por isso que um passo fundamental dos pais, com o fim de educar os pequenos para o uso da Internet, é conhecer esse ambiente e aprender a avaliá-lo, com suas virtudes e defeitos, conscientizando-se das oportunidades que oferece e das ameaças que carrega consigo. São inúmeras as associações, dentro e fora da Rede, que atuam no sentido de promover o bom uso das TICs. No Brasil, a APC Associação para o Progresso das Comunicações Internet e TIC para o desenvolvimento sustentável e a justiça social, e a ABEMTIC Associação Brasileira das Entidades Municipais de Tecnologia da Informação e Comunicação são algumas das iniciativas que fornecem informação e suporte de grande valor para novatos (adultos e crianças) na utilização das novas tecnologias.

 

Algumas boas práticas recomendáveis para que seu filho navegue de forma segura na Internet:

 

  • Navegue com ele e elabore uma lista de favoritos para que seu filho tenha acesso direto às páginas que, segundo seu critério, são úteis a seu desenvolvimento.
  • Mantenha contato com a escola de seu filho, com os pais de seus amiguinhos e com os responsáveis por qualquer lugar onde a criança possa se conectar na Internet sem sua supervisão e compartilhe experiências com eles.
  • Incentive seu filho a lhe contar suas descobertas a cada vez que se conectar à Rede e converse com ele a respeito.
  • E, mais que tudo: participe! Aprenda a jogar com ele e compartilhe de seus momentos de diversão e frustração. É o melhor modo de contribuir para que seu filho jogue e navegue com segurança.

 

 

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