Análise de projetos educativos na cultura digital
Análise de projetos educativos na cultura digital
Equipe EducaRede Brasil
Análise de projetos educativos na cultura digital

Análise de projetos educativos na cultura digital
No tópico anterior aprendemos que a confluência entre TIC e Educação tem gerado tanto expectativas positivas em relação às mudanças e impactos nesta interface como preocupação no sentido de precisar, com maior exatidão, os benefícios desta relação. Sem um exercício de reflexão, as TIC podem ser compreendidas como a “solução mágica” de todos os problemas enfrentados no contexto educacional ou então como um cenário a ser evitado. Daí a relevância de implantar processos avaliativos inovadores e condizentes com a proposta de implementação das TIC no contexto educacional.
Na entrevista a seguir, a Profª Drª Léa Fagundes, coordenadora do Laboratório de Estudos Cognitivos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, enfatiza a importância de uma avaliação sistêmica, que considere vários elementos em seu conjunto, e não isoladamente.
Clique aqui para ver o vídeo com Léa Fagundes
Ao planejar um projeto de uso das TIC na escola que realmente faça a diferença, ou seja, que traga elementos inovadores para a prática educativa no contexto de uma sociedade digital, é interessante considerar alguns critérios que podem proporcionar melhorias efetivas nos processos de ensino e de aprendizagem, sempre lembrando as observações da Profª Léa Fagundes.
Espaços e tempos de aprendizagem
As mudanças que almejamos experimentar no contexto escolar sinalizam para ampliação do papel do educador no estímulo da aprendizagem. Espera-se que o bom professor proponha desafios, contrapontos e reflexões em relação aos diversos discursos com os quais o estudante convive.
O educador deve desempenhar cada vez mais a função de incentivador da busca qualificada pelo conhecimento, considerando os múltiplos contextos sociais pelos quais os estudantes circulam – escola, comunidade, mundo virtual.
Os recursos digitais podem potencializar a mediação pedagógica do professor e também contribuir para a conquista e ampliação da aprendizagem do estudante, na medida em que favorecem a proposição de alterações na organização da dinâmica escolar. Ao elaborar um projeto, aula ou sequência didática considere se a ideia propõe:
- Mudança de tempo e de espaço no cenário de aprendizagem: flexibilidade no horário de aulas, na utilização dos espaços disponíveis na escola e/ou na composição etária das turmas.
- Desenvolvimento e/ou uso de espaços e ambientes comunicativos (sites, comunidades, blogs, jornais) no processo pedagógico, ampliando o alcance de comunicação e estimulando a autoria de educadores e educandos.
Metodologias adotadas
Todo bom educador sabe da importância de tornar sua relação com os alunos cada vez mais horizontalizadas, permitindo que ambos tenham voz e protagonismo durante a aula. No entanto, concretizar essa prática nem sempre é uma tarefa simples, considerando todas as demandas curriculares e administrativas de uma escola e/ou sistema de ensino.
Pensar a inserção das TIC em contextos educacionais, assim como definir novas práticas docentes, envolve um compromisso de instâncias gestoras da educação, desde a imediata direção da escola até a equipe técnica de secretarias ou órgãos ministeriais responsáveis pelas diretrizes de formação de professores. No entanto, como profissional da educação comprometido com sua função, o professor deve buscar o aprimoramento de sua prática. Muitas vezes, uma simples ideia pode gerar uma grande transformação.
Ao planejar um projeto, aula ou sequência didática considere se a iniciativa possibilita:
- Estímulo à interdisciplinaridade e à integração entre docentes, favorecendo a autonomia e a criatividade para criação e realização de experiências;
- Valorização não apenas do conteúdo apreendido, mas também do processo educativo vivenciado (metodologia de projetos);
- Promoção de aulas mais participativas e menos expositivas, aproximando alunos e professores;
- Utilização de recursos, ferramentas e demais dispositivos de autoria e comunicação nos quais os alunos efetivamente são protagonistas de sua própria aprendizagem;
- Envolvimento da família e da comunidade, estabelecendo uma rede de troca e colaboração;
- Valorização da intervenção social dos jovens em benefício de sua comunidade, cidade, estado ou país, possibilitando o exercício da cidadania;
- Criação de situações reais e concretas que possam despertar o interesse e a motivação dos alunos para aprender cada vez mais.
Conteúdos selecionados
Um dos maiores desafios em relação à inserção das TIC em contexto educacional é a concepção educacional que sustenta essa ação. Ou seja, as tecnologias digitais não podem ser consideradas apenas como ferramenta de ensino que pode dar uma nova roupagem à aula ou atividade realizada.
Pensar em educação e TIC significa considerar o advento das tecnologias digitais como elementos da cultura contemporânea. Nesse sentido, é importante considerar, por exemplo, temáticas bastante atuais e frequentemente ausentes nos currículos escolares, como por exemplo:
- Como pesquisar, analisar e selecionar informações disponíveis na internet;
- O que significa compartilhar, colaborar e fazer circular o conhecimento?
- Direito autoral na era digital, as licenças Creative Commons e o software livre;
- Uso responsável da internet e liberdade de expressão;
- Cibercultura, redes sociais virtuais e web 2.0.
Durante nossa jornada neste Tema, exploramos a questão da avaliação de projetos educacionais no contextos das TIC. Agora é com você, educador! Não deixe de realizar as atividades práticas sugeridas na Sala de Estar e conte sempre com a tutoria para esclarecer dúvidas. Bom trabalho!
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Para saber mais
Coleção Educarede – A internet na escola. Vol 3.Análise de projetos educativos na cultura digital
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