Avaliação no contexto das TIC

Avaliação no contexto das TIC

Actualizado lunes 26/03/2012 06:19

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Equipe EducaRede Brasil

Avaliação no contexto das TIC

Avaliação do uso das TIC

Avaliação no contexto das TIC


Se avaliar é uma das ações fundamentais do processo de ensino e de aprendizagem, quando se considera o contexto das tecnologias digitais e sua inter-relação com a educação e o currículo escolar, quais são os elementos a serem considerados? Como saber se uma sequência didática ou um projeto educativo estão sendo bem sucedidos?

Primeiramente, é importante retomar o conceito de avaliação. Quando mencionamos a palavra “avaliação”, alguns questionamentos preconcebidos costumam incomodar e por vezes até mesmo assustar os educadores: será que meus erros serão expostos? Quem será prejudicado com os resultados da avaliação realizada? Será que darei conta de avaliar meu projeto?

Natural que assim seja. Durante toda nossa trajetória escolar, somos constantemente preparados para sermos medidos, classificados em números ou letras e ainda esperar que todas nossas ações sejam incorporadas ao nosso histórico pessoal. Passamos a aceitar e, por vezes, temer as famigeradas avaliações.
No entanto, avaliar pode e deve ser uma atividade prazerosa e ainda funcionar como um elemento motivador da aprendizagem e de revisão e aperfeiçoamento da proposta de ensino ou do projeto de TIC da sua escola. Antes de prosseguirmos, vamos assistir ao vídeo.

Clique para ver o vídeo sobre Avaliação somativa e avaliação educativa

Avaliação: O que, como e quando?

O sistema de avaliação tradicional (ou avaliação somativa) converge com a visão pedagógica do “aprender que”, isto é, a absorção de conteúdos. Esta herança permanece ainda hoje, mas é importante ressaltar que o processo de aprendizagem é muito mais abrangente que o “aprender que”: ele envolve as etapas do desenvolvimento, curiosidade e interesse do estudante e também sua autoria como pesquisador, escritor e leitor.

Além de enfatizar o aspecto conteudista da educação, a avaliação tradicional traz consigo uma pecha punitiva. Quando se apresentam os resultados insatisfatórios do desempenho estudantil, geralmente não se questiona a avaliação. A avaliação classificatória está tão impregnada na cultura da escola que libertar-se dela se torna um desafio. O vídeo a seguir traz um breve apanhado da evolução da avaliação.

Clique para ver o vídeo sobre a história das concepções de avaliação

Aos poucos, o sentido da avaliação vem tomando maior amplitude e incorporando outras concepções: o ato de avaliar vai além de indicar qual o índice de acertos e erros de um estudante em uma prova e transformar esse dado em uma nota, usando-a para classificar seu desempenho em bom ou ruim. A avaliação, desta maneira, é essencial para saber se o projeto está alcançando os objetivos predeterminados.

Neste cenário, a palavra "avaliação" ganha a conotação de acompanhamento do processo de construção do conhecimento pelo estudante. Assim, é fundamental que o educador faça uso de variedades de técnicas avaliativas, que realize a avaliação de maneira constante, em todo o processo de aprendizagem, e que elabore feedbacks contínuos aos estudantes.

O feedback, ou processo de retroalimentação, oferecerá ao estudante as informações necessárias para que tome consciência das suas conquistas, erros e falhas em direção aos objetivos propostos pelo educador.

Desta maneira, busca-se uma avaliação que valorize o estudante e sua aprendizagem, incluindo-o e não excluindo-o do processo educativo. Este tipo de avaliação chamamos de avaliação formativa, uma vez que cumpre a função de formação, na qual os educadores diagnosticam, de maneira frequente e interativa, o progresso dos estudantes: o que aprenderam e o que ainda vão aprender. Dessa forma podem reorganizar o trabalho pedagógico. Com a avaliação formativa, o desenvolvimento tanto do estudante como do professor e da própria escola são promovidos.

Assim, podemos dizer que a avaliação formativa contribui para:

- Que os estudantes aprendam a aprender;
- Auxiliar os estudantes na construção de estratégias para sua própria aprendizagem;
- Focar no processo de ensino e aprendizagem e não no resultado do desempenho do estudante em uma prova;
- A construção de habilidades de autoavaliação e de avaliação dos colegas, a partir de critérios e objetivos bem definidos pelo educador;
- O desenvolvimento de habilidades que facilitarão a aprendizagem ao longo da vida do estudante.

No entanto, para a implantação de técnicas de avaliação formativa, é essencial que o educador também reveja seu papel, no sentido de ser ele mesmo um mediador da aprendizagem, desenvolvendo algumas características:

- Assumir o estudante como centro do processo de aprendizagem e, em torno dele, criar estratégias de ensino;
- Compreender o processo de ensino de maneira dialógica, elaborando, junto com o aluno, ações em direção da aprendizagem;
- Criar um clima de mútuo respeito e de empatia com seus estudantes;
- Dominar profundamente a sua área de atuação;
- Inovar e ser criativo na proposição de atividades;
- Incentivar e criar espaços para o diálogo entre todos os envolvidos no processo de aprendizagem.

Os modelos de avaliação adotados são diferentes em cada escola, mas em todos eles é importante que algumas questões norteiem o debate:

- Os meus estudantes estão aprendendo?
- O que minha turma está aprendendo?
- O que a minha turma não está aprendendo? Por quê?
- Em quais pontos eles indicam as maiores dificuldades? E as facilidades, onde estão?
- Por que essas estratégias de ensino não estão dando certo?
- O que posso fazer para que meus estudantes cheguem aos objetivos propostos?
- Como posso inovar?
- Como posso assegurar a implantação da avaliação mediadora na minha escola?
- O que posso mudar, tanto na infraestrutura como na formação dos meus colegas de trabalho, para incentivar uma nova cultura avaliativa?

Construção de indicadores

Clique para ver o vídeo "Ensinar como se aprende com TIC"

Como diz a Profª Edith no vídeo, a avaliação passa por vários aspectos e também pela sensibilidade do educador, mas nem sempre há indicadores tangíveis. No entanto, ainda que de maneira difusa, sob o conceito da avaliação formativa, o uso das TIC na prática pedagógica deve ser examinado criticamente pelos docentes. Sem o exercício reflexivo, corre-se o risco de acreditar que os meios tecnológicos podem solucionar os problemas da escola. Por outro lado, a exclusão das TIC da escola pode levar os estudantes a ficarem à margem das novas maneiras de se divertir, de se informar, de se comunicar, de trabalhar, de pensar.
Nesse contexto, é fundamental entender as TIC como elementos de uma cultura digital emergente que não podem ficar distantes do processo educativo e buscar as inovações e melhorias efetivas que elas podem trazer para o processo de ensino e de aprendizagem.

Segundo o pesquisador Marcos Masetto, muitas vezes perdemos todo o registro de um trabalho inovador por não elaborar um plano de avaliação coerente com a ação realizada. Em outras palavras, perdemos um trabalho novo porque realizamos a avaliação da maneira mais tradicional e conservadora que existe.

Já vimos no item anterior que repensar a educação implica, necessariamente, repensar a avaliação, considerando-a um processo integrado à aprendizagem e um elemento motivador nesse processo.

Elaborar um processo avaliativo coerente com o projeto pedagógico e que seja construído por indicadores significa tornar os dados coletados manejáveis e tangíveis. Uma vez elaborados, os indicadores passam a ser parâmetros que favorecem a materialização dos objetivos e metas estabelecidos em um projeto. Inicialmente, quando falamos em medir resultados, os autores do projeto podem ser tomados subitamente por um grande “desespero”. Isso porque a dificuldade, em grande parte dos casos, está em saber o que medir. Daí a importância da definição de indicadores claros, que funcionam como uma medida para verificar se o objetivo proposto foi total ou parcialmente cumprido.

No atual contexto, em que escolas e organizações sociais estão cada vez mais inseridas na cultura digital, torna-se fundamental a elaboração de indicadores que norteiem as ações em busca de qualidade e dos resultados desejados para o uso das TIC em sala de aula e para reavaliar o projeto pedagógico e as expectativas que embasam nossas ações. O desafio que se coloca é a elaboração de indicadores que auxiliem o educador a acompanhar quais seriam as contribuições dos usos das TIC na sua ação, qual o caminho a percorrer para alcançá-las e aperfeiçoar seu projeto. Além de, claro, auxiliá-lo na mudança de rumos de sua ação, quando necessário.

Especificamente, no que diz respeito à integração das TIC na Educação, existe uma ampla variedade de indicadores propostos por organismos internacionais, governos e entidades da sociedade civil que privilegiam diferentes enfoques sobre a temática.

Alguns deles enfatizam a formação de educadores e estudantes no que diz respeito às competências imprescindíveis para ensinar e aprender na sociedade contemporânea e no aprendizado ao longo da vida. Outros já privilegiam o manuseio de recursos, como uso de editores de textos, planilhas e Internet. Além deles, há indicadores voltados à investigação do sucesso no uso das TIC na educação e outros voltados ao número de pessoas com acesso à tecnologia.

Vale ressaltar que quando os indicadores dizem respeito à avaliação de uma instituição (escola, secretaria de educação, organização social), é importante que eles se baseiem em uma visão sistêmica, isto é, que levem em consideração a missão da instituição, seus projetos e ações, estrutura organizacional e também sua relação com a sociedade como um todo.

Dentro do paradigma da avaliação formativa e respeitando o contexto de cada escola, a apresentação a seguir pretende pontuar alguns aspectos, como por que avaliar, e também aborda a avaliação da gestão escolar e da prática de aula em relação ao uso de TIC.

Clique aqui para ver a apresentação Indicadores qualitativos


Ao definir os indicadores avaliativos para o projeto de um educador ou de uma escola, algumas questões podem nortear os educadores na definição daquilo que pretendem avaliar. São elas:

- O que a escola ou organização social se propõe a fazer é o que ela realmente faz? É o que ela deve fazer?
- Toda a comunidade escolar conhece o projeto e com ele está envolvida?
- A gestão/coordenação está de acordo com o projeto? Estas instâncias estão motivadas a colaborar?
- De que maneira cada um destes atores participará do projeto?
- Qual o papel que a avaliação pode cumprir no contexto onde se está inserida?
- Quais decisões podem partir dos resultados obtidos com a avaliação realizada?
- Em que medida os objetivos estabelecidos foram atingidos?
- Quais os aspectos facilitadores? Quais as dificuldades encontradas?

Leia também

Análise de projetos educativos na cultura digital

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DestaquePara saber mais

Entrevista com Jussara Hoffman.

Indicadores de qualidade na educação. Ação Educativa, Unicef, Pnud, INEP, Seb/MEC. 3ª Ed. São Paulo: Ação Educativa, 2007.

Kisil, Rosana. Elaboração de projetos e propostas para organizações da sociedade civil. 3ª Ed. São Paulo: Editora Global, 2004.

Moran, José M; Masetto, Marcos T; Behrens, Marilda Ap. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 3ª Ed. Campinas: Papirus, 2000.

Padilha, Márcia. Tipos de indicadores: um olhar reflexivo. IN: “O desafio das TIC para as mudanças na Educação”. Colección de Libros Metas Educativas 2021. Fundação Santillana. Coordenadores: Roberto Carneiro, Juan Carlos Toscano e Tâmara Díaz.

ONGs: Repensando sua prática de gestão. Publicação ABONG, 2007. Disponível para download em
Padrões de competência em TIC para professores. Publicação UNESCO.

Villas Boas, Benigna Maria de Freitas. Avaliação formativa e formação de professores: ainda um desafio. Caderno Linhas Críticas, Brasília, v 12, n 22, p. 159-175, jan-jun 2001.


Gonsales, Priscila (org.) Sala de Informática - uma experiência pedagógica. Coleção EducaRede - Internet na Escola. Cenpec, 2006.

Bertocchi, Sonia. Avaliação: o combinado não sai caro.

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