Inovação tecnológica e currículo escolar
Inovação tecnológica e currículo escolar
Equipe EducaRede Brasil
Inovação tecnológica e currículo escolar

Inovação tecnológica e currículo escolar
Uma ação educacional pode ser perfeitamente consistente em seus objetivos e metodologias sem utilizar nenhum recurso tecnológico digital. A incorporação das inovações tecnológicas só tem sentido se contribuir para a qualidade do ensino. A simples presença de novas tecnologias na escola não é, por si só, garantia de maior qualidade da educação, pois a aparente modernidade pode mascarar um ensino tradicional baseado na recepção e na memorização de informações.
Clique para ver o vídeo Tecnologia e Metodologia
A questão que este vídeo levanta de maneira muito simples é a do equívoco que geralmente cometemos quando vinculamos o conceito de moderno, transformador, inovador, exclusivamente ao uso de tecnologias e nos esquecemos de associá-lo também a metodologias.
A Metodologia é o estudo dos métodos ou etapas a serem seguidas num determinado processo. Tem como objetivo captar e analisar as características dos vários métodos indispensáveis, avaliar suas capacidades, potencialidades, limitações ou distorções e criticar os pressupostos ou as implicações de sua utilização.
A inovação tecnológica, que compreende o uso de novos produtos ou serviços para realizar tarefas antigas, requer inovação no processo e inovação na metodologia. Uma nova tecnologia modifica as fases de um processo. As novas metodologias são as novas organizações necessárias para que os processos possam ser modificados de acordo com as novas tecnologias adotadas.
Novo aluno, novo professor, novos métodos
Ao aluno do século 21 coloca-se a oportunidade de assumir uma postura ativa na construção das habilidades necessárias para ter acesso às oportunidades que a Internet oferece.
Nesse mesmo contexto, o professor, e até mesmo um especialista, perde a função de única fonte de informação. A dinâmica que se estabelece na sala de aula – ou no laboratório de Informática –, marcada por atividades múltiplas e simultâneas, favorece o diálogo e a troca entre educadores e alunos, horizontalizando as relações.
Em face disso, o papel do educador é fundamental para estimular nos alunos uma ampla gama de aprendizagens, além de provê-los da orientação e do apoio necessários para que se tornem aptos a pesquisar, publicar e interagir na Internet com segurança, de forma crítica e autônoma, dentro ou fora da escola – questões que demandam um processo de formação continuada do professor.
Cabe a este selecionar fontes de pesquisa, refletir criticamente sobre as informações encontradas, atribuir-lhes significados, contribuir para que os alunos identifiquem o que é relevante, orientar a publicação de trabalhos e qualificar a comunicação digital entre alunos.
Sua formação e experiência como educador lhe conferem condições para exercer o papel a que se tem exaustivamente chamado de professor-mediador (ver quadro "Novos papéis do professor", no tópico "Idolatrados games").
Para isso, contudo, é necessário que o professor entenda a Internet como instrumento cognitivo, sabendo utilizá-la em tarefas nas quais ela realmente faça a diferença.
Navegar e aprender na Internet
Navegar é mais do que visitar passivamente um universo predefinido de informações. Ao navegar, o internauta interfere no ciberespaço, reorganizando o fluxo de informações das quais ele é composto. Por isso, de certa forma, ele é um leitor-autor, pois, ao escolher suas ações na Web, com seus “cliques”, interfere no modo, no tempo e na ordem com que as informações são apresentadas. (Para conhecer mais sobre o funcionamento da Internet, veja o tópico "Internet e World Wide Web", no tema “Mundo digital".)
Hiperlink e Hipertexto
Uma característica marcante da Internet é o hiperlink, ligação que permite que se vá de um texto a outro, ou de uma parte de um texto a outra desse mesmo texto, por meio de palavras ou imagens interligadas. Com o hiperlink, constroem-se os hipertextos, que são textos organizados para uma leitura não-linear, isto é, com várias possibilidades de percurso, conforme associações de ideias, direcionamento de interesse ou níveis de aprofundamento.
Do ponto de vista da educação, a navegação no ciberespaço pode ser compreendida como uma ação de aprendizagem exploratória e criativa, realizada de modo particular e reflexivo. Exploratória porque permite ao aluno clicar livremente, ir e vir, repetir e experimentar caminhos. Criativa e particular porque exige definição de critérios, regras e lógicas que auxiliam na construção do percurso e na obtenção de resultados significativos. Reflexivo, pois, ao definir um método de navegação, o aluno deve analisar e readequar suas estratégias e seu raciocínio, ainda que de maneira informal.
Letramento digital: as aprendizagens
Quando a opção do educador é incorporar uma ou mais etapas de trabalho em meio virtual, ele precisa, necessariamente, abranger em seu planejamento o desenvolvimento de aprendizagens no âmbito do letramento digital.
Letramento digital é um conjunto de capacidades necessárias às atuais práticas letradas mediadas por computadores que podem ser descritas da seguinte forma:
- Construir sentido a partir de textos que articulam códigos verbais, sonoros e visuais;
- Localizar, filtrar e avaliar criticamente a informação;
- Ter familiaridade com as normas que regem a comunicação por meio do computador.
- Pesquisar na Internet: acessar e selecionar criticamente informações.
- Comunicar-se em meio digital: trabalhar colaborativamente, participar de debates, grupos de estudo etc.
- Publicar conteúdos: adquirir uma postura ativa e autoral na Internet.
Aprender a pesquisar: o aluno pesquisador
São tantas as informações disponíveis na Internet, que não é difícil se perder entre as múltiplas janelas abertas do navegador, em uma espécie de labirinto digital. Temos aí um grande desafio: como construir conhecimento nesse mar de informações?
Para que a pesquisa na Internet seja significativa no processo de construção do conhecimento do aluno, é importante uma metodologia focada no desenvolvimento de aprendizagens relacionadas a identificar e selecionar informações relevantes, como levantamento de hipóteses, análise, comparação e síntese.Essas aprendizagens pressupõem habilidades de leitura de textos não lineares, como hipertextos, e alfabetização nos códigos das linguagens do ambiente hipermídia.
Aprender a publicar: o aluno autor
Um recurso importante disponibilizado pela Internet é a possibilidade de publicar documentos de qualquer tipo (texto, som ou imagem) de forma organizada para o leitor.
Pode-se publicar a partir de soluções sofisticadas ou simples, como as ferramentas para construção de sites pessoais ou blogs, voltadas especialmente para o público leigo. Essa facilidade torna a publicação na Internet uma ação bastante difundida nos dias de hoje.
Do ponto de vista da educação, trata-se de uma oportunidade de incrementar as habilidades de comunicação entre os jovens, tornando-os produtores e editores de conteúdos próprios e de terceiros, oferecendo a alunos e professores a oportunidade de agir como promotores de cultura.
Para assegurar qualidade no uso educacional desse recurso, é necessário orientar os alunos a construir um significado próprio para a atividade de publicação de conteúdos na Web. Para publicar algo, é necessário planejar o que será divulgado, definir tamanhos e tipos de documentos, além de planejar a navegação entre eles, num trabalho que envolve produção e edição das informações.
Hipermídia
"Os recursos hipermidiáticos, ao unir o uso de diferentes linguagens, podem ser muito ricos para a aprendizagem, uma vez que cada linguagem mobiliza um tipo diferente de raciocínio e de compreensão. Segundo Pierre Lévy, as simulações com imagens interativas prolongam e transformam a cognição, mais especificamente a imaginação e o pensamento. Esse teórico lembra ainda que as tecnologias devem ser vistas não como meras ferramentas de ensino, mas como um elemento constituinte da relação com o saber, alterada, em sua natureza, por “tecnologias intelectuais” que “ampliam, exteriorizam e alteram funções cognitivas humanas”. O autor se refere aos aspectos da memória, da imaginação, da percepção e mesmo do raciocínio". - Lucia Santaella
Aprender a comunicar-se digitalmente: o aluno comunicador
O caráter interativo da Internet é um dos distintivos mais notáveis dessa mídia. Embora o debate seja amplo entre estudiosos, pode-se resumi-lo dizendo que a interatividade diz respeito à relação homem-máquina (ou homem-software) e à relação homem-homem mediada pela máquina.
Ela pode se dar em ambientes interativos como fóruns, salas de bate-papo, listas de discussão, blogs e redes sociais.
Todos esses ambientes têm a finalidade de colocar grupos de pessoas em comunicação, mas as características de cada um os tornam mais adequados a um ou outro tipo de uso.
Clique para ver o vídeo sobre A cultura digital na escola: um webcurrículo
Clique para ver o vídeo produzido pelo EducaRede
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Debates e Desafios
Para saber mais
Coleção EducaRede: Inclusão Digital na Escola - vol.1 e vol. 5
Santaella, Lucia. Navegar o ciberespaçao. O perfil cognitivo do leitor imersivo. Paulus, 2004.
Lévy, Pierre. A máquina universo: criação, cognição e cultura informática. São Paulo: Artmed, 1998.
Sandholtz, Judith H., Ringstaff, Cathy e Dwyer, David C. Ensinando com tecnologia – criando salas de aula centradas nos alunos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
EducaRede: Ensinar com internet
Linux Educacional: formação de professores para uso de tecnologias na educação
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