Na Rede, o educador pode ser o "Nó robusto".
Ensinar e aprender no contexto da cultura digital e em rede
Ensinar e aprender no contexto da cultura digital e em rede
por Claudemir Viana
Gestor do Minha Terra
A Escola nas Redes
Agora virou slogan afirmar que “se aprende em rede”, referindo-se à forte presença da web no contexto social; e tornou-se comum lançar o desafio aos educadores - com ares de conselho - para que promovam uma educação por meio da rede constituída pela internet. E esta demanda, para a escola, é natural num contexto cultural em que a presença da internet é cada vez mais significativa, embora ainda seja novidade e desafiante para a maioria dos educadores pensar e atuar com ela em suas práticas escolares.
Um bom painel sobre esse contexto é apresentado na pesquisa TIC Educação no Brasil, recentemente divulgada pelo www.cetic.br (Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação). E, paulatinamente, a questão que se torna principal nesta reflexão toda é estar na rede, na web, para fazer o que e como? E, especialmente, a atuação dos sujeitos na web integrando o processo educativo e as práticas escolares, de forma coerente com o contexto social contemporâneo.
Antes de falar disso, é bom lembrar que o ser humano, em sua essência, é constituído como sujeito por meio das interações estabelecidas com o ambiente e, em particular, com outros sujeitos. Portanto, é um ser que sempre integra redes sociais de diferentes perfis e assuntos no decorrer de sua vida. Afinal, é assim que se forma um sujeito social: interagindo, formando e integrando "tribos" - urbanas, rurais, étnicas, políticas, culturais, educativas -, e participando de movimentos sociais de vários tipos e estilos!
E podemos até recuperar o histórico deste processo na evolução de nossa espécie, desde os primórdios até o contexto de um mundo conectado pela rede de computadores, pela web. Mas, não é bem sobre isso que falaremos aqui, e sugiro a leitura do texto “A Sociedade em Rede”, de Jésus Beltran Llera, que aponta algumas transformações nas relações dos sujeitos, entre si e com o meio social, por causa da intermediação das tecnologias de informação e comunicação da era digital. E assista à videoaula Novas Tecnologias, novos modos de ensinar e aprender, produzido pelo Educarede, clicando na imagem acima.
Novos contextos, novas práticas de aprendizagem...e de ensino!
Considerando este novo contexto, mas focado nos processos pedagógicos promovidos pela escola, não se trata de algo novo propriamente, que só interessa perceber e considerar agora em razão da existência da internet e do que podemos fazer por meio dela, estes sim aspectos mais recentes.
É isso também, claro, mas não podemos focar só no novo e perder de vista as conexões deste novo com o que já é parte constituidora do processo formal educativo, para além do “novo” que chega. Isto é, não se pode deslocar esta importante percepção sobre o uso da internet na educação daquilo que é mais complexo e real: a escola como instituição e prática cultural que faz parte das redes sociais (reais). Sabemos que isso não é pouco, mas é bom considerarmos este aspecto. Por quê? Porque hoje é acrescido muito ao desafio de educar quando se espera e se "pede" ao educador uma atuação também de forma articulada às redes sociais virtuais.
Daí que falar em “aprender em rede” só por causa da necessidade de convencer o educador quanto ao uso da internet em suas práticas pedagógicas é diminuir em muito a realidade dos fatos e dos processos e, com isso, apenas "sobrevoar" na questão! Afinal, “a verdade é que a Internet é apenas um instrumento que estimula, e não muda, certos comportamentos; ao contrário, é o comportamento que muda a Internet” (Castells, 1999). Vale acrescentar que esta relação entre internet e comportamentos têm duas mãos, tem o vice-versa, é dialética: a internet e a atuação dos sujeitos em suas redes também modificam modos de ser e pensar dos mesmos em seus cotidianos reais!
Pois bem, então precisamos primeiro perceber as práticas escolares com certos tipo de redes, reais e próprias de seu contexto local. E, nisso, promover a incorporação e/ou ampliação de suas vivências escolares para um contexto mais complexo, dinâmico e intenso, particulares de um mundo digital e em rede, onde o real e o virtual convivem e se integram, e em que o local e o global se misturam formando o que se chama de glocal.
E mais, é preciso considerar que isto acontece não só no mundo virtual e não só por causa dele! Entretanto, sabe-se que a cibercultura ¹ envolve a todos nós nas práticas culturais decorrentes do uso de tecnologias digitais, mesmo os que não têm muito acesso a elas, e, assim, constituem-se parte da gestão e das práticas de novas formas cotidianas do sujeito viver, do seu jeito de ser nos coletivos sociais.
Novos modos de ser nas redes sociais!
Portanto, não é entender que somente agora é possível e/ou preciso aprender em rede, mas é necessário, e muito, perceber a real dimensão e as possibilidades que o novo meio – a internet – traz para o processo de ensino e aprendizagem existente, e em direção à valorização e aproveitamento desta forma de se aprender: EM REDE!!! E que, agora, pode incluir práticas culturais resultantes do uso de redes sociais virtuais de forma articulada às redes sociais reais e, assim, transformar ambas as práticas e, com isso, aprender novos modos de atuar na rede e no mundo real.
Enfim, para além da REDE em si, como foco de nossa atual atenção - a rede da WEB, é preciso enxergá-la e tratá-la num contexto real de um conjunto de redes da qual a escola está participando. E é neste conjunto de redes que a escola torna-se um de seus pontos, um de seus nós, com características próprias e particulares como instituição de ensino, e, decorrente disso, de seus profissionais que são educadores (do diretor à servente, passando pelos professores, é claro), e exercendo sua ação intervencionista e colaborativa na comunidade da qual pertence.
Por isso, estamos mesmo é falando da consciência sobre o modelo de ensino e do conjunto de práticas educativas que representam valores próprios de um contexto social digital e em rede, a saber, o compartilhamento e a colaboração/criação coletiva como roteiro importante de atuação, agindo como um nó destas redes - inclusive a da web. Entretanto, sabemos que nossos educadores foram "moldados" para um agir pedagógico pouco orientado para estas práticas de redes abertas e colaborativas, nem mesmo entre eles, com poucas excessões individuais e coletivas.
Daí vem a grande questão: como a escola e o educador podem se tornar o nó mais robusto desta rede?!
Para continuar esta conversa:
- Não basta estar na rede, é preciso saber fazer na rede. Mas fazer o que e como?
- O educador como gestor dos processos educativos na e pela web: o nó robusto da rede
- Redes educativas constituem teias de relações infinitas
¹ Termo que surgiu nos anos 1960 e que identifica o conjunto de práticas e representações que surge e se desenvolve com a crescente mediação da vida cotidiana pelas tecnologias de informação e, assim, pelo pensamento cibernético e a civilização maquinística. Para saber mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cibercultura.
